Quando a Sega lançou um jogo em parceria com Michael Jackson
Michael Jackson, na verdade, ajudou a criar dois jogos compelamente diferentes.
No ano de 1988, a Sega havia chego com os pés na porta com uma missão bastante clara: destronar o monopólio da Nintendo. Ainda sem muitas perspectivas de trabalhar em parceria com outras desenvolvedoras, parte da campanha americana para o Mega Drive consitia na formação de uma personalidade para essa marca.
Já falamos um pouco sobre alguns dos primeiros lançamentos da plataforma, especificamente os lançados entre o final de 1988 e início de 1989 no Japão. Esse primeiro momento de divulgação do aparelho possuia um foco muito grande nas suas capacidades de hardware e possibilidade de emulação da experiência arcade em casa.
Posicionamento de Marca — Genesis does
Um momento importante para a divulgação do novo aparelho nos Estados Unidos da América, que era um dos principais mercados consumidores, foi um grande problema para a Sega. Apesar de sua fama com arcades, o Master System mostrou que trazer essa base já conhecida de consumidores não seria uma missão fácil. Visando um mercado em que a palavra Nintendo havia se tornado o sinônimo de videogame, uma das saídas da Sega para destacar-se era criar uma indentidade própria.
Isso levou a empresa a realizar contratos com personalidades americanas famosas, já nos seus primeiros anos de lançamento. Tommy Lasorda Baseball (1989), levando nome e imagem do jogador de baseball e técnido do Los Angeles Dodgers, Arnold Palmer Tournament Golf (1989) com imagem e nome do jogador de golf Arnold Palmer.

Essa campanha sucedeu durante vários anos, chegando a incluir personalidades de outras nacionalidades. Em 1992, por exemplo, por sugestão da TecToy, Ayrton Senna’s Super Monaco GP fora lançado associando a já conhecida série Super Monaco GP com o corredor brasileiro de fórmula 1, Aryton Senna.
Essa campanha foi bastante produtiva para a Sega, afinal ajudava a se posicionar dentro do mercado americano apoiando-se sobre imagens já reconhecidas por aquele público. Além de passar uma indentidade mais jovem, os anos 1980 marcaram um período de grande difusão da cultura jovem, em especial por conta de espaços como a MTV. Justamente essa identidade que a Sega queria para si durante esse período e ninguém mais MTV que Michael Jackson.
Michael Jackson’s Moonwalker

Em 1987, Michael já havia se consagrado como um dos grandes artistas negros, talvez o maior, da indústria americana. Com seu álbum de estúdio Thriller, lançado em 1984, sendo até hoje um dos álbuns mais vendidos da história. Michael chegava em 1987 com uma missão nada simples: superar o sucesso de Thriller.
No final daquele mesmo ano Bad fora lançado. O álbum em questão transformou a nove de suas onze faixas em sucessos instantâneos, mas o sucesso não veio por acaso. Thriller, havia se tornado um marco por conta de seus videoclipes e, logicamente, Bad não iria ficar de fora. Uma boa parte dos clipes que englobam as faixas desse álbum foram apresentadas por meio do filme Michael Jackson’s Moonwalker. Entre elas, a icônica apresentação de Smooth Criminal.
O interesse de Michael em continuar a divulgação de seu álbum não parou apenas no cinema e supostamente, haveria partido do próprio a vontade de realizar um jogo utilizando sua própria imagem. O jogo em si só veio a ser lançado em 1990, para os arcades, com o design e conceitos criados pelo próprio Michael Jackson.

Michael Jackson’s Moonwalker — Arcade
A versão menos conhecida desse jogo, talvez seja a versão original. Lançada exclusivamente para os arcades, em 1990 — por volta de julho a agosto nos principais mercados globais. Apesar de levar o mesmo nome, o jogo não se inspira 100% em todos os clipes exibidos no filme, mas apenas em sua sessão final: Smooth Criminal.

No jogo, assim como no filme, o personagem Mr. Big quer sequestrar crianças e vicia-lás em drogas. A missão é bem simples, salvar as crianças e derrotar o Mr. Big.
Diferente da sua contraparte para consoles, este jogo possui um conceito razoavelmente diferente — feito pelo próprio Michael Jackson — que mistura, de certa forma, beat em up com shooters. Muito provávelmente o Michael não queria ser visto saindo na porrada com ninguém, então ele ataca por meio de um raio, que pode ser concentrado para um maior dano nos inimigos — tal qual Megaman —, para além disso, o mesmo pode usar um ataque especial que faz todos os inimigos na tela dançarem, ou transforma-se em robô, quando encontra o seu macaco de estimação, Bubbles, no decorrer das fases.
Algo interessante de mencionar é que em diversas fases o Mr. Big aparece pilotando em diversas máquinas, e quando derrotado ele foge voando, retornando com outra máquina na próxima fase. Qualquer semelhança com o Dr. Eggman de Sonic é apenas coincidência.
Michael Jackson’s Moonwalker — Mega Drive

Completamente diferente na sua contraparte lançada para Arcades. Nessa o jogo opta por uma jogabilidade mais plataforma, substituindo algumas poucas caracteristicas da versão original e adaptando outra para o sistema mais limitado do Mega Drive.
Apesar de mais simples, essa acabou por ser a versão do jogo que mais fez sucesso. Em especial por futuramente, com a chegada de Tom Kalinske na Sega of America, integrar parte da campanha Genesis Does What Nintendon’t, o que ajudou a ligar a imagem do Michael Jackson a Sega e fortalecer a marca em solo americano.
Importante mencionar que foi apenas em 1989 que Michael Jackson passou a ser chamado pela mídia como Rei do Pop, título pelo qual ainda é reconhecido, por conta de uma homenagem feita pela atriz Elizabeth Taylor. O jogo, dessa forma, saiu em um momento muito forte de popularidade do mesmo que ajudou e muito a elevar a moral do console em solo americano.
Quanto ao jogo em si, ele segue um caminho levemente parecido com a sua versão em arcade. Tal qual o anterior, a única similaridade com o filme é a sessão de Smooth Criminal, que aqui se assemelha bastante com um grande hotel com diversos andares. Apesar disso, apenas a progressão entre as duas primeiras fases aparentam fazer algum sentido.
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Na versão de arcade haviam pequenas transições que se emulam uma história em quadrinhos, ajudando a localizar o jogador sobre o que aconteceu durante as fases, aqui apenas há um grande pulo. O que torna bastante questionável o motivo do Michael ter saído de um cemitério diretamente para uma caverna e logo após para uma base secreta. Os cenários também são bem pouco inspirados e mais simples — nada tão marcante como por exemplo foi feito em Strider (1989) cerca de um ano antes — tornando as fases bem maçantes e repetitivas.
Animações e sprites são menos detalhados para que possam se ajustar as limitações do console, mas em compesação o golpe especial traz consigo diferentes danças — que casam com o tom da fase — fazendo todos os inimigos da tela dançarem em conjunto Smooth Criminal, Beat it e Thriller*.
Relação entre Michael e Sega — What Nintendon’t
Michael Jackson’s Moonwalker foi lançado para o Mega Drive em 1990, um ano depois o mascote mais conhecido da Sega viria a dar as caras em Sonic the Hedgehog. A história de que Michael Jackson fez parte da equipe de desenvolvimento da trilha sonora de Sonic 3 já é conhecida, em especial a semelhança da sua Soundtrack com as faixas do álbum Dangerous (1991) e HIStory (1997), mas essa não foi a última parceria entre ambos.

Michael também apareceu como uma pequena referência em Space Channel 5 (1995) como Space Michael. O personagem em questão foi um pedido de inclusão do próprio Michael, quando os desenvolvedores mostraram o título — fortemente inspirado por alguns de seus clipes, como Scream — a ele antes do lançamento.
* Curiosamente, Thiller não está disponível em nenhuma das versões do jogo. Puramente por conta de direitos autorais, o que descarecterizou um pouco a fase do cemitério na versão do Mega Drive, apesar disso a dança presente no especial é a de Thriller. Em ambas as versões, toca uma
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Um exemplar humano da denominada Gen Z. Frequentemente falando a respeito de videogames e quando sobra tempo escrevendo sobre eles. Não menos importante, professor de matemática.


