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O histórico de richas entre a Nintendo e ativistas da causa animal (PETA)

Um episódio marcante da década de 2010 foi o uso de jogos em flash como protesto político.


Conhecida por processar qualquer um que ouse passar próximo de qualquer ideia contida em suas propriedades intelectuais, a Nintendo, foi alvo de uma série de críticas públicas durante o início da década de 2010, que resultaram até mesmo na produção de paródias de jogos de algumas de suas IPs publicadas livremente na internet. O movimento ganhou uma tração à época, após um grupo de ativistas lançar petições denunciando os maus tratos a animais em jogos da Nintendo.

People for Ethical Treatment of Animals (PETA) — Pessoas pelo Tratamento Ético de Animais —, trata-se de um grupo de ativistas políticos engajados com a causa animal. O grupo formado em 1980, como uma organização sem fins lucrativos, tem como norte conscientizar o público sobre violações do direito animal. De acordo com o seu site oficial “PETA opera sobre o princípio básico de que animais não são posses a serem usadas em experimentos, alimento, vestimenta, uso para entretenimento ou qualquer outra forma de abuso.”, atuando com esses princípios desde sua fundação.

A organização ganhou popularidade em 1981, ao investigar um laboratório na cidade de Silver Springs, o caso que ficou conhecido como “Silver Spring Monkeys” ganhou repercussão midiática após a descoberta de um psicólogo, sem nenhum treinamento médico ou veterinário, mantinha presos um total de 17 macacos aos quais submetia aos mais diversos experimentos e torturas.

Com o tempo a organização tornou-se conhecida não pelo conteúdo de sua mensagem, mas pelo formato. Acumulando polêmicas em diversas das suas campanhas de conscientização como a campanha “Holocaust on your Plate” realizada em 2003 que comparava fazendas de criação de animais com campos de concentração, “Got Autism?” realizada em 2008 alegava que o consumo de leite de vaca era responsável por causar autismo, entre outras campanhas, todas feitas com o intuito de chocar o público.

Campanhas contra agressão animal nos videogames

Uma parte essencial do movimento causado pela organização em sua luta pelo direito animal dá-se na internet, e nos mais diversos formatos de comunicação que a mesma apresenta. Nessa onda entraram até mesmo os antigos jogos em Flash, já em 2001 um jogo contra o consumo de leite chamado “Make Fred Spew!” foi publicado como parte da campanha Milk Sucks e “Save the Chicks” publicado em 2003 como parte do protesto KFCruelty movido contra o consumo de galinha/frango pelo KFC.

O movimento que irá no interessar, no entanto, começa apenas em 2007. Ainda como parte do movimento de boicote KFCruelty, que visava conscientizar sobre o consumo de frango, em especial pelo KFC — a maior rede de fast-food especializada em frango frito dos estados unidos — a PETA publicou o jogo Super Chick Sisters tratando-se de uma das muitas paródias de jogos da série Super Mario Bros. presentes na internet da época. O mesmo jogo ganharia uma continuação em 2009 sob o nome New Super Chick Sisters.

Até o presente momento, os ataques envolvendo paródias de jogos estavam direcionados a grande conglomerados de fast-food. Em 17 de Novembro de 2008, em proximidade com o tradicional feriado americano de ação de graças, a PETA publica um novo jogo, dessa vez direcionado diretamente à Majesco cujo jogo Cooking Mama (2006) lançado para Nintendo DS e Cooking Mama: Cook Off (2007) lançado para Nintendo Wii.

A série Cooking Mama trata-se de um apanhando de mini-games de reação rápida com o objetivo de realizar, dentro das métricas estabelecidas, corretamente as receitas culinárias disponíveis em cada título. A paródia publicada pela PETA e nomeada “Cooking Mama: Mama Kiils Animals” foi publicada com seguinte mensagem “Você deve estar se perguntando o motivo de implicarmos com a pobre Mama, isso deve ser porque você nunca jogou os títulos originais. Eles estão tão cheios de pratos feitos com animais mortos que a única coisa que falta é o sangue e o abatedouro. Então, em nome da precisão e da honestidade, a PETA decidiu introduzir um pouco de horror na cozinha da Mama.”.

A paródia publicada recebeu uma grande atenção da mídia especializada da época, trazendo de forma bastante violenta receitas tradicionais do dia de ação de graças na qual um peru era morto, depenado e tinha suas vísceras arrancadas antes do preparo de cada prato retratando a personagem principal do jogo como uma grande sádica. O protesto, endereçado à Majesco, encorajava o pedido de um jogo da série com receitas veganas.

Após a publicação de Cooking Mama: Mama Kills Animals à Majesco veio a público alegando que seu novo jogo Cooking Mama: World Kitchen lançado apenas um dia após a controvérsia contava com novas receitas incluindo receitas veganas e que apesar de não ser vegetariana a personagem Mama apoiava as causas de tratamento humanizado aos animais. Com a Majesco, o problema foi resolvido.

Protestos contra Pokémon e Super Mario

Após o caso envolvendo a série Cooking Mama, a PETA ainda se envolveria em uma paródia contra o jogo indie Super Meat Boy — o nome do jogo é autoexplicativo aos motivos pela qual a PETA protestou contra. Até mesmo o jogo Battlefield 3 enfrentou protestos sob o fato de que o realismo do jogo permite até mesmo a morte de ratos com o uso de facas. Os casos narrados até aqui não criaram tanta movimentação na mídia quanto os protestos que a empresa fez contra as principais propriedades intelectuais da Nintendo.

Super Mario 3D Land (2011) foi o grande título de entrada para a nova era de portáteis iniciada com o Nintendo 3DS. O jogo, que resgata uma memória do grandioso Super Mario Bros. 3, tinha como parte principal de sua campanha de divulgação o retorno do Power Leaf e do Tanooki Mario, a roupa que se assemelha a pele de guaxinim. E foi justamente este o cerne do protesto da PETA à série Super Mario e à Nintendo.

A campanha intitulada “Mario Kills Tanooki” trazia um protesto contra o uso de pele de animais enquanto vestimenta e/ou acessório de moda. A acusação feita pelo protesto é de ao utilizar a pele de guaxinim em troca de super poderes, Mario estaria dando a mensagem de que está tudo bem utilizar pele de animais como roupa. A campanha veio seguida do jogo “Super Tanooki Skin 2D“, em clara referência à Super Mario 3D Land, onde um guaxinim, em carne viva, perseguia o Mario que havia arrancado sua pele para conseguir voar.

Em resposta ao protesto a Nintendo simplesmente alegou que o personagem possui diversas transformações em seus jogos, incluindo animais e objetos. As transformações são apenas uma forma de dar um ar descontraído e tornar os jogos mais divertidos. As diferentes transformações sofridas pelo Mario não representam nenhum posicionamento que vá além do próprio jogo.

Os protestos contra a Nintendo não deixaram de ocorrer e, em 2025, com o lançamento do jogo Mario Kart World a PETA voltou a protestar quanto ao visual da personagem Moo Moo Cow, que contêm anel nasal. Além disso, o jogo 1-2 Switch (2017) também recebeu um protesto, em 2017, por seu mini-game de ordenhar vacas. O grupo mantêm-se deunciando a má representação de animais desde então, como a presença de rinhas de galo em Far Cry 6 (2021), e por falar em rinha de galo.

Pokémon Black & Blue, foi uma nova paródia lançada em 2012, em referência ao jogo Pokémon Black & White (2010). A crítica, um tanto óbvia para qualquer um que conheça a frânquia, trata sobre o aprisionamento de animais virtuais sob o pretexto de colocá-los em brigas violentas. A paródia compara o aprisionamento em pokébolas com o uso de armas utilizadas em caça, correntes e grilhões para manter animais aprisionados utilizando os animais virtuais em paralelo as crueldades realizadas por seres humanos a animais reais.

Um ano após também foi publicada a paródia Pokémon Red, White & Blue — em referência as cores da bandeira americana — em crítica, mais uma vez, as redes de fast-food americanas e a exploração da violência animal em troca de lucros.

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