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SG-1000, o primeiro grande fracasso da Sega nos videogames

Muito provavelmente você deve pensar que o Master System foi o primeiro console da Sega, mas o SG-1000 esteve lá antes.

As décadas de 1980 e 1990 marcam um período de metamorfose daquilo que representa videogame. A Atari ganhou um espaço grandioso no mercado com seu Atari 2600, contudo pouco tempo depois deixou o mercado, que ajudou a criar, “respirando por aparelhos”. Após isso a porta se abriu para as empresas japonesas tomarem conta do mundo. Nintendo, Sony e Sega brigavam intensamente durante esse período para manter sua fatia do bolo.

A estrada trilhada pela SEGA colecionou mais momentos baixos do que altos. Com exceção do Mega Drive, que chegou a ocupar mais da metade do mercado em um cenário quase que monopolizado pela Nintendo, os outros aparelhos não enfrentaram a mesma sorte. O Brasil se destacou como um dos locais bem sucedidos no lançamento do Master System, bastante disso devido aos esforços da TecToy que vendeu por anos a fio o aparelho.

Muitos provavelmente devem acreditar que o Master System foi a primeira tentativa da empresa em entrar no mercado de videogames de mesa. Na verdade, aquela já era uma terceira tentativa de reformular um produto antigo, o SG-1000.

Lançamento

Até 1983, a empresa já havia marcado seu nome entre as mais influentes dentro do ramo de arcades. Contudo, estava interessada em expandir seus negócios. O interesse era lançar seu próprio videogame caseiro, seguindo o sucesso causado pelo Atari 2600. O mesmo já possuía uma estrutura de hardware limitada desde seu lançamento, em 1977. 

Informações sobre o desenvolvimento do projeto são bastante limitadas, mas é possível teorizar que o principal interesse era entrar nesse mercado com um hardware mais potente para concorrer diretamente com a Atari. Contudo, a SEGA não previa que outra empresa já estava um passo à frente nessa conquista.

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Publicidade vinculada em revistas da época

A Nintendo até 1981, data de lançamento de Donkey Kong, era uma empresa de brinquedos. Em especial jogos de cartas, como o baralho e hanafuda, tradicional jogo de cartas japonês. Contudo, na virada da década, muito em influência do avanço tecnológico que ocorreu no Japão, a empresa viu um espaço no mercado de eletrônicos. Após algumas tentativas de tentar estender-se para o campo dos videogames de mesa, a mesma teve uma experiência não tão frutífera com o TV-Color Game, porém não parou por aí.

Enquanto a SEGA preparava seu hardware, o SG-1000, a Nintendo já trabalhava com o Family Computer. Se a SEGA estava se preparando para enfrentar diretamente o mercado com o Atari 2600, com uma máquina em arquitetura 4-bit, a Nintendo já estava pronta para deixar essas tecnologias no passado com uma arquitetura 8-bit.

O lançamento tanto de SG-1000 quanto de Family Computer ocorreram no Japão no mesmo dia: 15 de Julho de 1983.

Alguns jogos relevantes da plataforma

O SG-1000 sofreu um banho de água fria no exato dia do seu lançamento, com apenas um ano de seu lançamento a empresa já havia lançado melhorias tentando alcançar um público nos microcomputadores pessoais. O SG-3000, também chamado de Sega Mark II, foi a revisão que levou a plataforma por mais um ano. Até a SEGA decidir encerrar a linha de produção de ambos em 1985, os substituindo pelo Sega Mark III, também chamado de Master System.

De acordo com o banco de dados MobyGames, a plataforma teve, entre 1983 até 1987, apenas 79 jogos lançados. Com a vasta maioria destes títulos produzidos pela própria SEGA. Seguindo a cartilha da empresa, muitos desses jogos eram adaptações de alguns de seus próprios arcades.

Monaco GP

Monaco GP - SG-1000

Provavelmente um dos títulos que mais ganharam fama em plataformas futuras. Monaco GP é um jogo de corrida com um objetivo simples, atravessar uma pista em alta velocidade, correndo contra o tempo e desviando de inimigos e obstáculos pelo caminho. A versão original foi lançada em 1979 para os arcades, sendo um grande sucesso bastante popular no decorrer dos anos. Posteriormente, a série foi repensada na criação de Super Monaco GP alterando completamente a jogabilidade.

A versão para o SG-1000 conta com três pistas que variam em nível de dificuldade. O jogo é bastante simples, mas é bastante perceptível o quanto é fluido quando comparado com qualquer outro jogo do Atari 2600, demonstrando que a plataforma poderia ter algum futuro caso tivesse sido lançado algum tempo antes. 

Congo Bongo

Este é um título que não deu as caras nos videogames futuros da empresa, fazendo se presente apenas em algumas coletâneas e remakes lançados para o PlayStation 2 anos mais tarde. Pode-se dizer que Congo Bongo é uma versão de Donkey Kong, a única diferença é a jogabilidade que aqui se estende para uma jogabilidade tridimensional com visão isométrica.

A versão lançada para o SG-1000 não possui essa visão isométrica, dando lugar a fases com visões diferentes que variam entre uma visão lateral ou superior. O caminho é o mesmo de Donkey Kong, o jogo conta com algumas fases e após concluí-las.

Girl’s Garden

Quando se pensa em SG-1000, um dos títulos que acaba chamando atenção é Girl’s Garden. Não exatamente por qualquer característica ligada ao software do jogo, mas sim a seu programador. Afinal, este foi o primeiro trabalho do programador Yuji Naka, que posteriormente ficaria encarregado como o principal programador do Team Sonic, além de ser reconhecido como “Pai do Sonic”.

Em Girl’s Garden controlasse uma menininha que colhe flores em um campo enquanto desvia de ursos pelo caminho. Sendo possível deixar potes de mel no meio do caminho para desviar a atenção dos ursos. As flores também possuem um ciclo de vida, então é preciso esperar que floresçam e colhê-las antes de murcharem.

Golgo 13

Outra participação que chama atenção é Golgo 13. A primeira vez que a Sega realizou um licenciamento de uma obra para o lançamento de um jogo. Sendo baseado num mangá de mesmo nome, o jogo tem apenas uma missão, perseguir com carro e acertar a janela de um trem em movimento para salvar pessoas. Obviamente, após passar uma fase ela se repete com uma dificuldade maior.

Jogos baseados em anime/mangás de sucesso fizeram uma grande parte da biblioteca japonesa dos consoles da Sega. Infelizmente, muitos destes títulos não foram exportados, afinal a fama dos animes e mangás só veio ganhar força no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Alguns poucos casos de exportação sofreram com troca de nomes, a exemplo Hokuto no Ken para Master System que se transformou no famoso jogo Black Belt.

H.E.R.O.

Uma menção interessante é H.E.R.O., frequentemente citado como um dos melhores jogos desenvolvidos para o Atari 2600. A versão original foi produzida pela Actvision, principal responsável por levar ao máximo as capacidades do aparelho. Enquanto a versão lançada para SG-1000, que conta com uma qualidade gráfica a mais, foi reprogramada pela Sega e lançada para o aparelho.

O jogo é o mesmo do Atari 2600, com algumas melhorias gráficas. A missão é andar por labirintos em cavernas, utilizando laser para derrotar inimigos e bombas para explodir passagens e salvar pessoas que ficaram aprisionadas no fim dos túneis. 

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