In Retrospectum — 2025
Um ano acaba e outro começa, momento propício para o ritual de relembrar o que já passou.
Entra ano, sai ano. Ciclos se fecham, metas são estabelecidas, nenhuma delas é cumprida. No meio dessas metas sempre há um espaço para videogames. Minha meta pessoal para todos os anos é conseguir finalizar pelo menos vinte e cinco novos jogos durante todo o percurso. Apesar disso, só consegui cumprir com sucesso uma única vez.
O ano que se encerra, 2025, marca a reta final da minha graduação. Com ele, todas as matérias obrigatórias do curso se encerram. Restando apenas a clássica e amedrontadora tese de conclusão de curso que fica para o próximo ano. Dado esse cenário e considerando o esforço dos últimos anos, o período foi dedicado a relaxar e desacelerar um pouco mais para o gran finale.
Nisso, houve um pouco mais de tempo para poder jogar algo. Atividade que não era realizada há alguns anos. Assim, podemos realizar um balanço daquilo que foi ou que era melhor não ter sido.
Street Fighter Alpha 2 (1996) — Arcade

Colocando na ponta do lápis, o que mais joguei esse ano foram sem dúvida os jogos de luta. A habilidade necessária para realizar combos precisa passar por muitos aprimoramentos, contudo, novas palavras entraram para o dicionário. Footsies, Whiff Punish, Zoning e Overhead agora fazem parte do meu vocabulário. Não necessariamente parte da jogatina, pois aplicá-los de forma adequada requer tempo e prática.
Street Fighter Alpha 2 e Ultra Street Fighter IV podem subir juntos ao pódio dos jogos de luta mais jogados do ano. Contudo, houve espaço suficiente para experimentar outros títulos e em especial treinar um pouco em outros jogos famosos como The King of Fighters 2002 e Mortal Kombat X. Chegar como um novato em ambientes competitivos é pedir para ser espancado sem dó. Muitas vezes esse espancamento vem na forma de um combo praticamente infinito, mas importante é tentar e buscar se aperfeiçoar.
Spider-Man 3 (2007) — PlayStation 3

Um ano não é composto exclusivamente de boas experiências. Enquanto alguns se divertiam com Marvel’s Spider-Man e Marvel’s Spider-Man: Miles Morales, eu me “divertia” com o patinho feio dos jogos do cabeça de teia. Ao menos na época de lançamento deste, ninguém reclamava de lacração e cultura woke.
O início da sétima geração sofreu com os mesmos males da quinta geração. Apesar de uma indústria já acostumada a trabalhar com modelos tridimensionais, a chegada do PlayStation 3 e Xbox 360 foi um salto enorme na capacidade de renderização de polígonos. Isso causou alguns momentos dignos de um vale da estranheza e Spider-Man 3, exclusivo para PS3, é de longe um dos representantes mais memoráveis do início da sétima geração.
Actvision reformulou os jogos tridimensionais do Homem-Aranha a partir de Spider-Man 2. Levando o herói para um jogo de mundo aberto, com o palco principal sendo a cidade de Nova York. Ainda na sexta geração, foram capazes de aproveitar muito bem esse estilo de jogabilidade e refiná-lo com Ultimate Spider-Man. Não seria uma surpresa que o próximo jogo para a nova geração conseguisse dar um passo ainda maior.
Spider-Man 3 foi lançado em paralelo com o último filme da trilogia Homem-Aranha com o Toby Maguire. Adaptando o roteiro do filme, e como seu antecessor fazendo uso dos atores originais. De fato o jogo foi um grande passo, porém maior do que a própria perna. Em especial quando colocado lado a lado com os títulos anteriores. Algo que, de certa forma, também se aplica ao filme em questão.
Com uma câmera que muitas vezes mais atrapalha do que ajuda, um combate fraco e um visual que oscila entre o cómico e o esquisito. Novamente, o jogo marca a primeira leva de lançamentos para um videogame de sétima geração, o que não o isenta de ser praticamente injogável, especialmente em missões secundárias. Contudo, ajuda a entender os motivos de ele ser dessa forma. Não seria surpresa se além disso, ainda tivesse contado com baixo tempo de desenvolvimento.
Super Mario Sunshine (2002) — Gamecube

Retrocedendo mais uma geração, temos aquele que nasceu para suceder Super Mario 64. Super Mario Sunshine segue a mesma progressão com alguns poucos mundos, que agora triplicaram em tamanho, contendo algumas missões que se integram com a exploração destes cenários. A movimentação do Mario segue bastante daquilo apresentado na plataforma tridimensional anterior, deixando uma parte da movimentação para trás e adicionando no local uma nova mecânica.
Enquanto o Luigi andava por aí com um aspirador de pó, o Mario recebeu uma pistola de água bastante tunada. A F.L.U.D.D. passa a ser mecânica essencial do jogo, adicionando algumas novas possibilidades de ataque e movimentação ao arsenal do Mario. Um caminho bastante inventivo, ainda que no geral não pareça tão bem aproveitado.
Este tem um salto de dificuldade bastante elevado quando comparado com seu antecessor, o que pode acabar como uma trava para quem cai de paraquedas aqui. As sessões especiais, que precisam ser atravessadas sem o uso da F.L.U.D.D., são capazes de fazer qualquer um ficar um pouco mais careca do que começou.
Sonic Generations (2011) — PC

Alimentando retroativamente a briga entre os mascotes da Sega e da Nintendo. Saímos de um jogo não tão amigável para iniciantes para um extremamente amigável e recomendado para iniciantes. Sonic Generations nasceu como a comemoração de 30 anos da série, realizando uma revisita em todos os estágios marcantes da série principal alternando entre dois tipos de jogabilidade.
São oferecidas algumas re-imaginações interessantes de fases clássicas em uma jogabilidade moderna e de fases modernas em um estilo clássico. O que serve tanto de comemoração para fãs de longa data da série, como também uma apresentação para novos jogadores. Sendo daqueles títulos cujo um dos poucos defeitos e que acaba um tanto rápido demais.
Ainda que o jogo tente se esticar artificialmente com missões alternativas dentro das fases, além da possibilidade de obter o maior ranking e coletáveis. Conseguir os 100% não é das missões mais difíceis e pode ter sua conclusão em poucos dias de jogatina. Não deixa de ser possivelmente o título mais divertido da franquia,
Doom (1993) — MS-DOS

Deixando o lado fofinho de lado, também houve momento para sair estraçalhando demônios pelo meio do caminho. Não tem muito o que dizer, o estilo que ficou conhecido como Boomer Shooter com o passar do tempo, ou abrasileirando que é melhor Tiro de Tiozão, pode não ter começado com Doom, mas é inegável a influência dele na própria cultura de games como um todo.
Quem poderia garantir que os americanos seriam bons em criar jogos envolvendo armas, não é mesmo? Doom junta isso com uma jogabilidade bastante fluida em um ambiente pseudo-tridimensional. Daí fica a cargo do jogador, se quer ir por um caminho mais tranquilo e matando os monstros um a um, ou joga como deve ser, atropelando tudo pelo caminho.
Dragon Quest V: Tenkuu no Hanayome (1993) – SNES

Seguindo a tradição de jogar quase que anualmente um Dragon Quest, para este ano fui agraciado com Dragon Quest V. O título anterior a este já havia conseguido uma evolução narrativa em contraste com o que a série apresentou até o momento. Naquele contando histórias a parte que posteriormente se conectam, neste contando uma única grande história.
Acompanhando quase que a vida inteira de um único personagem, de sua infância até a vida adulta. Dragon Quest V apresenta o protagonista que provavelmente mais sofreu na história de todos os J-RPGs, a história é muito interessante de se acompanhar contando com alguns pequenos gatilhos emocionais que pegam o jogador desprevenido muitas vezes.
O estilo de jogabilidade segue o mesmo da franquia Dragon Quest, inserindo a nova mecânica de poder recrutar inimigos para lutar junto em batalhas. Algo que posteriormente serviu para a criação do mangá Dragon Quest: Dai no Daibouken, conhecido no Brasil por Fly, o Pequeno Guerreiro, que traz esse protagonista chamado Dai/Fly com forte amizade com os monstros. Há quem jure de pés juntos que Pokémon havia copiado essa ideia de Dragon Quest V, entretanto os sistemas de recrutamento de monstros são bastante diferentes entre si.
Call of Duty (2004) — PC

2025 marcou um período para experimentar alguns First Person Shooter com os quais nunca havia tido qualquer intimidade. Na verdade, era um dos gêneros que eu menos gostava, mas no decorrer do ano transformou-se naquele que mais nutri interesse. Após Doom o próximo na lista foi Call of Duty. Sim, o primeiro Call of Duty.
É possível que novos jogadores torçam um pouco o nariz para o visual desde, que já ultrapassa seus 20 anos de lançamento. Contudo, para aqueles que conseguirem superar isso e a inteligência artificial das mais burras existentes, vai se deparar com uma experiência bastante única.
Existem inspirações diretas dos grandes filmes de guerra de Hollywood. Em especial para O Resgate do Soldado Ryan que cria com bastante efetividade o efeito atordoante das bombas. O jogo também apresenta diversas missões nos diferentes pontos de vista da guerra. Tanto da chegada dos Americanos, quanto a participação dos Ingleses e em especial a participação Soviética.
A última parte do jogo se situa na invasão Soviética da Europa retratando a operação Barbarossa. Demonstrando um dos cenários mais caóticos da guerra dentro do jogo, em especial sendo a parte mais difícil de avançar.
Bloodstained: Ritual of the Night (2018) — PC

O final do ano marcou a presença do meu gênero favorito, Metroidvania. Com destaque especial para Castlevania: Dawn of Sorrow e Bloodstanied: Ritual of the Night. Bloodstanied, obra dirigida pelo Koji Igarashi após sua saída da Konami, segue muitas das mecânicas presentes em Aria of Sorrow e por consequência em Dawn of Sorrow. Em parte, essa sucessão espiritual de Castlevania poderia ser praticamente uma sequência direta, ao menos na questão de jogabilidade.
Aos amantes de Metroidvania, em especial de Castlevania, é um prato cheio, ainda que algumas escolhas de progressão dentro do jogo funcionem de maneira bastante estranha. Além da campanha, o jogo esconde diversas referências e modos de jogos que remetem a títulos clássicos da série, com DLCs inclusas. A exemplo uma que simula o estilo de jogabilidade de Simon’s Quest.
A continuação de Bloodstained foi anunciada, fica o aguardo para que a série consiga se manter com uma maior originalidade sem depender de ligações com a saga que está trancada dos cofres da Konami a todo momento.


